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ACIDENTE COM 5 MORTOS NA CURVA DA MORTE COMPLETA 10 ANOS

* Kombi com estudantes da Apae foi atingida por caminhão no km 459 da Portinari *

Há dez anos, uma Perua Kombi com alunos da Apae faziam sua última viagem em Rifaina (SP). O grupo que seguia para Franca (SP) foi atingido por um caminhão na chamada “Curva da Morte”, trecho que, antes de ser duplicado, ficou conhecido por inúmeras fatalidades na Rodovia Cândido Portinari (SP-334).

Atualmente, o peso de uma das maiores tragédias nas estradas da região de Ribeirão Preto (SP) se converte em placas de ruas, rebatizadas em homenagem às cinco vítimas, e na dificuldade dos familiares em falar sobre o tema.

“A aceitação vem com o tempo, a saudade, mas também é fato que, quando a gente passa pela curva, que hoje é duplicada, é fatal você se lembrar”, afirma Cláudio Aparecido Masson, secretário de Turismo de Rifaina, irmão de uma das vítimas.

Em 2008, acidente matou cinco pessoas em Kombi, na 'Curva da Morte', em Rifaina (SP) (Foto: Reprodução/EPTV/Arquivo)

Masson era irmão de Laércio Masson, de 42 anos, o motorista da Kombi. O sol nem havia nascido na manhã de 28 de março de 2008, quando Laércio, a mulher, a sobrinha, um monitor e três alunas da Apae deixaram Rifaina em direção a Franca.

Na conhecida curva do quilômetro 459 – que seis anos antes já havia matado um motorista e 20 estudantes de Sacramento (MG) – a Kombi de Láercio foi surpreendida por um caminhão carregado com pisos, que invadiu a faixa contrária.

Além de Laércio, morreram no local a mulher dele, Eliana, então com 40 anos, e a sobrinha Jaqueline Pereira, de 24 , que viajava para comprar o vestido do noivado,marcado para o dia seguinte. A aluna Izabel dos Santos, de 19 anos, e o monitor da Apae Gean de Lima, de 18 anos, também não resistiram.

Laércio Masson e a mulher Eliana morreram em acidente há dez anos em Rifaina (SP) (Foto: Reprodução/EPTV/Arquivo)

Laércio Masson e a mulher Eliana morreram em acidente há dez anos em Rifaina 

Da esquerda para a direita, três jovens mortos em acidente em Rifaina em 2008: Izabel Cristina Batista dos Santos, Jaqueline Pereira Pinho e Gean Victor de Lima Cordeiro (Foto: Reprodução/EPTV/Arquivo)

Da esquerda para a direita, três jovens mortos em acidente em Rifaina em 2008: Izabel Cristina Batista dos Santos, Jaqueline Pereira Pinho e Gean Victor de Lima Cordeiro

VÍTIMAS

Outras duas alunas da Apae, Kétima Santana da Fonseca e Cristiane Helena dos Santos, sobreviveram depois de serem atendidas com politraumatismo na Santa Casa de Franca.

O motorista do caminhão teve ferimentos leves. Ele foi indiciado por homicídio e teve a prisão convertida em prestação de serviços comunitários.

O acidente levou a Prefeitura a decretar três dias de luto e o velório foi realizado no ginásio municipal devido à repercussão da tragédia na localidade e também na região.

 Vítimas de acidente ocorrido em 2008 dão nomes a ruas e avenidas de Rifaina (SP) (Foto: Reprodução/EPTV)

Vítimas de acidente ocorrido em 2008 dão nomes a ruas e avenidas de Rifaina (SP) 

Estigma

Importante rodovia entre Franca e Rifanina, a Cândido Portinari sempre foi conhecida pela “curva da morte”. Até a data do acidente com a Kombi tinham sido 30. Somente após a tragédia, autoridades políticas iniciaram a duplicação do trecho.

Atualmente, as condições de tráfego são diferentes, mas o estigma do lugar ainda permanece para os familiares, conforme afirma Cláudio Aparecido Masson, irmão de Laércio, cunhado de Eliana e vizinho de Jaqueline.

“Sempre faço viagens a Franca, então a gente sempre lembra, a gente sempre se benze. Nós temos esse hábito de fazer ‘em nome do pai’ [oração cristã do Pai Nosso], porque só Deus nos conforta”, diz.

Trecho da Rodovia Cândido Portinari foi duplicado após ficar conhecido como 'Curva da Morte' em Rifaina (SP) (Foto: Reprodução/EPTV)

O secretário de Turismo reconhece que o assunto ainda é delicado entre os familiares das vítimas e os moradores. Quem anda pela cidade, consegue encontrar os nomes de Izabel e Gean, por exemplo, nas placas do cruzamento de uma rua e uma avenida.

Eliana Carmem Pinho Masson também é o nome de uma avenida da cidade. Em breve, uma praça do município será batizada como Laércio Masson. As homenagens são uma maneira que a cidade encontrou de amenizar o sofrimento

“A gente não aprende que pais vão enterrar os filhos. Eles estão em outra vida. Vamos acreditar nisso: são anjos que estão com energia positiva olhando por nós”, diz Masson.

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