Diante da crise no setor de calçados, a inovação tem ganhado espaço

Segundo a Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), a crise no setor durante a pandemia fez a produção cair 27% em 2020, colaborando para que mais de 250 milhões de pares de calçados deixassem de ser fabricados e vendidos. A baixa nas vendas também é influenciada pelas exportações de calçados que, até novembro de 2020, caíram 19,4%

“A pandemia do novo coronavírus afetou severamente a indústria calçadista, que já conta com a perda de cerca de 20 mil postos de trabalho no setor”, diz o presidente-executivo da Abicalçados, Haroldo Ferreira. Ele ainda ressalta que a crise só não foi pior devido a algumas medidas de estímulos que permitiram a preservação de empregos através da flexibilização das jornadas, o que ajudou a reter postos de trabalho.

Válvulas de escape da crise

O e-commerce, que já vinha tendo crescimentos exponenciais nos últimos anos, teve seu pico em 2020 com projeção de aumento em 2021. Dados divulgados pelo índice da Cielo, as vendas on-line registraram aumento de 45% comparando o 1° semestre de 2020 com o ano anterior. O varejo como um todo chegou a registrar perda de 36% do faturamento, e a queda só não foi maior devido ao e-commerce. Outro levantamento da ABComm, Associação Brasileira de Comércio Eletrônico em conjunto com a E-commerce Brasil, diz que 95% das pessoas que compraram on-line em 2020, compraram com frequência em marketplaces.

Para o setor de calçados, o e-commerce foi a única saída para muitas empresas do ramo, como é o caso da Vittal, fábrica de calçados localizada em Franca. A empresa nasceu em 2019 vendendo apenas em atacado através de representantes. “Nessa época, as vendas estavam começando a crescer, mas logo vimos a necessidade de mudar para um lugar maior e passamos a explorar mais a internet. Entendemos como funcionava a dinâmica dos marketplaces e começamos a fazer as primeiras vendas, foi um sucesso”, diz o sócio Raphael Braga.

Projeções para 2021

Especialista do mercado de calçados estima que 2021 pode ter um crescimento moderado. “Para o início do próximo ano, a tendência é de uma recuperação verificada, ainda mais levando em consideração a vacinação e a normalização do comércio físico, do qual ainda somos dependentes”, diz Haroldo Ferreira, presidente-executivo da Abicalçados. Para ele, para seguir no caminho da recuperação, o governo precisa “desburocratizar e diminuir a carga tributária para termos o mínimo de competitividade para concorrer com os players internacionais, tanto aqui quanto além-fronteiras”.

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