Diante de desafios da pandemia, Lula cita exemplo da Liga Nacional de Basquete: “decisão é dos clubes”

Manter na ativa um esporte coletivo como o basquete, em meio à pandemia do novo coronavírus em um país como o Brasil, não foi tarefa nada fácil para equipes profissionais, avalia o supervisor técnico do Franca, Lula Ferreira.

Mas, ao lembrar de dificuldades, o ex-técnico da seleção brasileira e presidente da Liga Nacional de Basquete (LNB) em 2020 ressalta, como um exemplo deixado pela modalidade, a autonomia dada aos clubes, não os dirigentes, para tomar decisões importantes, como seguir ou não com os campeonatos, e de que forma isso deveria acontecer.

– O bom da Liga é o seguinte: as decisões são dos clubes. Não é uma coisa que a Liga decide – afirma.

O basquete nacional, assim como outros esportes, foi diretamente afetado pela maior crise sanitária dos últimos tempos. Na temporada 2019/2020, a principal competição brasileira, o NBB, foi interrompida em março do ano passado e não teve um campeão.

Para a edição seguinte, os clubes aprovaram um protocolo sanitário desenvolvido por um infectologista da USP e a competição foi realizada.

A reta final, ocorrida quando os números da pandemia só aumentavam, foi mantida, mas mediante uma decisão unânime dos 16 clubes participantes, que readequaram a tabela para respeitar as determinações dos órgãos públicos.

Protocolos rígidos

Supervisor técnico de uma das equipes mais tradicionais do basquete brasileiro, Lula Ferreira avalia que todas as medidas adotadas, em combinação, não acabaram por completo com os riscos de infecção, mas ao menos ajudaram a reduzir os impactos, diante da impossibilidade de se criar uma “bolha”, como a que foi adotada pela NBA em Orlando, nos Estados Unidos, e se mostrou eficaz.

Segundo relatório da LNB, durante os 194 jogos do 1º turno do NBB foram confirmados 96 casos de Covid-19. Resultados obtidos após 8.264 exames em jogadores, integrantes de comissões técnicas e árbitros ao longo de 121 dias.

Além disso, os protocolos previam controle severo de acesso aos ginásios, portões fechados ao público e número restrito de profissionais, separados por setores.

Lula Ferreira, coordenador do Franca e ex-presidente da LNB — Foto: Fotojump/LNB

– Acho que se aprendeu muito a lidar com a pandemia e nesse lado também tem que dar todos os elogios pra Liga Nacional de Basquete, porque a gente combinou alguns protocolos de saúde e alguns procedimentos que sustentaram a competição. O protocolo da Liga era muito rigoroso. A exigência dos testes não é que evita de pegar a Covid, porque isso é o comportamento individual, mas, detectando quem está com a Covid, não deixando isso se espalhar, se consegue levar o campeonato até o final – afirma.

O próprio Franca Basquete exemplifica essa avaliação. Segundo Lula, em torno de sete jogadores contraíram o novo coronavírus ao longo de toda a temporada, mas não houve uma situação extrema que levasse ao cancelamento das atividades.

Isso graças às medidas aos poucos incorporadas por todos, do dia a dia nos treinos à hora do jantar nos hotéis.

– Todo mundo foi entendendo coisas. Entrou na rotina de todo mundo, você não precisava mais falar nada, os jogadores de máscara, os hotéis que a gente ficava, uns com procedimentos mais rigorosos, outros menos. O menos rigoroso era assim: você se serve no bufê, mas com luva, de máscara – diz.

Espírito coletivo

Nesse contexto em que coube aos clubes definir como dar andamento às atividades, cada um cedeu de alguma maneira, lembra Lula.

Do São Paulo, que disputou todos os jogos do playoff final no Rio de Janeiro, casa do Flamengo, a equipes como Paulistano, que cederam suas quadras para outras equipes treinarem e jogarem.

O próprio Franca, segundo o supervisor técnico, também precisou ceder, ao não disputar nenhum jogo em casa. Durante a competição, ficou definido que as partidas aconteceriam em São Paulo, Mogi das Cruzes, Rio e Brasília, grandes centros com estrutura que estrutura que otimizava os deslocamentos das equipes.

No caso da equipe do técnico Helinho, essa programação implicou em viagens de 400 quilômetros de ônibus para São Paulo.

– A somatória de tudo isso aí acabou levando a tocar o fim. Passamos alguma dificuldade, passamos um momento muito ruim quando São Paulo fechou, que ali a gente ficou com medo da competição, mas acho que todos clubes tiveram o espírito de sacrificar algumas coisas – lembra.

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