Ibiraci: Empreendedora fatura R$ 95 mil com foodtech de cafés funcionais

Após se formar na Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF), em Campos dos Goytacazes, município do interior carioca, em 2011, a engenheira agrônoma Fernanda Rebel, 34 anos, trabalhou com cana-de-açúcar em usinas de Goiás e em empresas de chás funcionais. Mais tarde, em 2016, trabalhou em uma loja familiar de insumos agrícolas no município de Ibiraci (MG) ao lado do marido, Lucas Viana, no que seria a origem de sua trajetória no empreendedorismo.

No modelo de negócios, as transações eram realizadas em operações de barter – a troca de um produto pelo outro, sem intermediação monetária. Pelas vendas de sementes e adubos, recebiam como pagamento cafés especiais da região da Mogiana Mineira, famosa por produzir grãos de alta qualidade. Logo, o casal cogitou lançar uma nova marca para atuar no segmento premium da bebida. No entanto, a tradição e a concorrência de grandes players no mercado fizeram com que desistissem da proposta.

Mas a ideia de trabalhar com café não foi totalmente descartada. Rebel, então, voltou o olhar para o setor de cafés solúveis e decidiu incrementar a bebida com ervas usadas em chás. O novo obstáculo: os ingredientes funcionais proporcionavam um gosto amargo e não combinavam com o café.

Para solucionar o problema, a empreendedora inscreveu o projeto no Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (Pipe), programa da Fapesp. Selecionada, a iniciativa foi aprimorada ao longo de dois anos com nanotecnologia no Supera Parque, incubadora da USP. No final, além de tornar o amargor dos ingredientes imperceptível, os pesquisadores descobriram que a tecnologia contribuía para a aumentar a absorção dos nutrientes em 50%.

Em meio à pandemia, a Avesso, startup de cafés funcionais coados em sachês (drip coffee), chegou ao mercado em agosto de 2020. Com opções de café verde, com lúpulo, colágeno e canela, além do café tradicional, a empresa faturou R$ 95 mil em 12 meses de existência. A comercialização acontece no e-commerce próprio, com o auxílio de distribuidoras regionais, e por meio do Tiffin Foods, app que faz a ponte entre fornecedores e comércios que atuam na categoria de artigos saudáveis, a exemplo de empórios e casas de produtos naturais. Há, ainda, 15 revendedores espalhados no interior de São Paulo.

Café Avesso (Foto: Divulgação)

“Conseguimos mapear o nosso cliente como alguém que se preocupa com a saúde, mas não abre mão de comer o que gosta. São pessoas que pedem o lanche acompanhado de um refrigerante zero ou que colocam açúcar no café. Elas buscam um estilo de vida mais saudável, mas não são extremamente radicais, e querem uma solução rápida para o dia a dia”, afirma Rebel, proprietária da Avesso.

Para expandir o negócio, ganhar projeção nas capitais e aumentar o número de revendedores, a foodtech vai receber um investimento seed de R$ 290 mil do empresário José Carlos Semenzato, presidente do Grupo SMZTO, que soube da proposta de Rebel depois da participação da empresária no reality “Shark Tank Brasil”, programa de empreendedorismo da Sony. Do montante total, 25% (cerca de R$ 72,5 mil) já entrou para o caixa. Em cinco anos, a meta é faturar R$ 8 milhões com o produto.

Uma terceira frente de expansão é a construção de uma unidade industrial na cidade de Sertãozinho (SP), em parceria com a Lund, cervejaria artesanal de Ribeirão Preto (SP). A fábrica começa a funcionar a partir de setembro e terá capacidade para produzir até 40 mil caixas por turno. Para se ter ideia, a Avesso comercializa, em média, de 200 a 300 caixas por mês, em que cada caixa contém dez sachês de doses individuais de dez gramas.

De acordo com a empreendedora, a empreitada traz novas oportunidades de negócios. “A fábrica nos dá a possibilidade de terceirizar a produção para atender o interesse de empresas em personalizar seus produtos. Podemos fazer os itens da Avesso, mas também produzir o de outros clientes, numa espécie de ‘white label’”, explica Rebel. “Em outros casos, é possível fazer a parceria em colaboração com as duas marcas”, acrescenta.

Até o final do ano, o objetivo da startup é vender mil caixas a cada 30 dias e tornar sólida a presença na região Sudeste, com foco nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo. “Queremos crescer, mas temos a preocupação de atender os clientes de forma consolidada”, finaliza.

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