Faesp alerta, Funcafé precisa atender cafeicultores

“O problema é a burocracia e o efetivo acesso aos recursos. O Funcafé precisa ser direcionado a quem mais precisa, o cafeicultor”, alerta Fábio de Salles Meirelles, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp), ao destacar a importância da acessibilidade dessa linha de crédito aos cafeicultores paulistas.

Em 2020, o Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (Funcafé) destinou R$ 160 milhões para a recuperação dos cafezais, mas apenas R$ 21,7 milhões foram efetivamente emprestados aos produtores, conforme levantamento do Fundo de Defesa da Economia Cafeeira-Funcafé – Contratações Ano Safra 2020/2021 do MAPA.

“O crédito não está sendo operacionalizada para atender o produtor e a nossa queixa busca mudar essa realidade. Exemplo disso é o Banco do Brasil, maior instituição de fomento ao crédito rural do País, que não realizou nenhuma operação com recursos da linha de recuperação de Cafezais”, explica Meirelles.

Conselho Nacional do Café (CNC) ampliou o crédito por conta dos impactos das geadas no campo e irá destinar R$ 1,32 bilhão para as linhas de financiamentos do Funcafé. O Governo Federal estabeleceu que a concessão das linhas de financiamento seja atrelada à contratação de seguro rural.

A federação realizou uma visita técnica na última semana para avaliar os prejuízos causados pelas geadas aos cafezais do município de Caconde, o maior produtor dessa cultura no Estado de São Paulo e um dos mais atingidos. Como solução para talhões danificados pela geada, especialistas indicam que serão necessárias medidas drásticas: arranquio do pé de café ou recepa. E isso implica investimento e tempo, pois a recuperação das lavouras pode ser muito lenta e demorar anos.

O café é a principal atividade econômica de Caconde, que também teve suas áreas de pastagens castigadas e enfrente outro grande desafio, o da crise hídrica, agravado com o baixo nível de água da represa da cidade, o pior em sete anos, chegando a apenas 18% da sua capacidade.

A Faesp já encaminhou ao MAPA um ofício solicitando a adoção de medidas práticas para garantir o acesso efetivo de cafeicultores ao Funcafé. A proposta da entidade é sensibilizar as autoridades sobre a adoção de medidas práticas para persuadir as instituições financeiras a operarem a linha de crédito, direcionando-a ao atendimento dos cafeicultores prejudicados, que precisam de apoio, assistência técnica e capital para se reestabelecer.

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