Falta de insumos leva Santa Casa de Igarapava a inativar 50% dos leitos de UTI Covid-19

Cinco dos dez leitos de unidade de terapia intensiva (UTI) para tratamento de pacientes com Covid-19 estão inativos há uma semana na Santa Casa de Igarapava (SP) por falta de medicamentos para manter a intubação.

Segundo Marcelo Ormeneze, interventor do hospital, não há disponibilidade no mercado e a escassez de outros insumos já coloca em risco toda operação.

“Nós temos a verba do governo para comprar só que os fornecedores não têm para entregar”, diz.

O Ministério Público acompanha o caso e notificou a Coordenadoria de Assistência Farmacêutica e a Coordenadoria de Regiões de Saúde para prestar esclarecimentos sobre a deficiência no fornecimento de medicamentos.

Santa Casa de Igarapava, SP — Foto: Jefferson Severiano Neves/EPTV

Santa Casa de Igarapava, SP — Foto: Jefferson Severiano Neves/EPTV

Atendimento prejudicado

 

O problema foi levado ao MP pela Prefeitura e pela gestão da Santa Casa no dia 16 de março.

Com a suspensão do atendimento em metade dos leitos, 14 pacientes em estado grave estão na fila de espera por uma vaga de internação, dos quais dois são de Igarapava.

“Esses pacientes são de diversas cidades do estado. Eles ficam aguardando vaga nos hospitais das próprias cidades e quando surgem vagas, o sistema Cross encaminha aqui. Nós temos a vaga, mas não temos medicamentos.”

De acordo com o contador Márcio Francisco de Paula, responsável pelas compras, antes, para adquirir os sedativos e relaxantes musculares necessários para manter dez leitos, o hospital gastava R$ 50 mil. Agora, o custo chega a R$ 200 mil.

“Um medicamento que a gente pagava R$ 72 direto do laboratório, o laboratório não está tendo mais para comprar. A gente compra de distribuidora, mas de R$ 72 pulou para R$ 298. Pela variação, em poucos dias de compra, está aumentando muito o percentual.”

Santa Casa de Igarapava, SP, inativou metade dos leitos de UTI Covid-19 por falta de insumos — Foto: Jefferson Severiano Neves/EPTV

Santa Casa de Igarapava, SP, inativou metade dos leitos de UTI Covid-19 por falta de insumos — Foto: Jefferson Severiano Neves/EPTV

A administradora hospitalar Leandra Vilarinho afirma que a situação é preocupante e crítica.

“Para nós que estamos na linha de frente, os médicos e toda a equipe, ter um paciente em um leito de UTI e não ter medicação para oferecer é muito complicado. A Santa Casa está fazendo todos os esforços. É um cenário nacional, os leitos estão aí e não temos como atender. Precisamos de medidas muito rápidas.”

MP pede esclarecimentos

 

Na segunda-feira (22), o promotor de Justiça Túlio Vinicius Rosa enviou ofícios extra-judiciais ao estado para pedir esclarecimentos sobre o problema que afeta, até o momento, exclusivamente a Santa Casa de Igarapava entre os 22 municípios que integram a Diretoria Regional de Saúde (DRS) 8.

“A Coordenadoria de Assistência Farmacêutica tem a responsabilidade de fazer interlocução junto ao Ministério da Saúde e centralizar o recebimento e a distribuição dos medicamentos. Nós fizemos esse contato na segunda-feira, estamos aguardando a resposta. No mesmo sentido, a Coordenadoria das Regiões de Saúde, porque nós estamos levantando a possibilidade de eles atuarem de maneira a garantir efetivamente que esses leitos se mantenham efetivos”, afirma Rosa.

Faltam insumos para manter pacientes em leitos de UTI na Santa Casa de Igarapava, SP — Foto: Jefferson Severiano Neves/EPTV

Faltam insumos para manter pacientes em leitos de UTI na Santa Casa de Igarapava, SP — Foto: Jefferson Severiano Neves/EPTV

A Central de Regulação de Oferta de Serviços de Saúde (Cross), da Secretaria Estadual de Saúde, é responsável pela transferência de pacientes aos hospitais com leitos vagos do Sistema Único de Saúde (SUS). A Santa Casa espera que todos os doentes que aguardam na fila consigam ser internados.

“Os 10 leitos de Igarapava são estratégicos, porque eles estão inseridos na Cross e eles atendem nossa região, atendem pessoas de fora da região da DRS 8. É imprescindível que eles estejam em funcionamento”, diz o promotor.

A Santa Casa e a Prefeitura acionaram ainda o Procon por causa da possível cobrança abusiva de fornecedores.

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