Geadas atingem cafezais no Sul de Minas e podem impactar negativamente a próxima safra

A madrugada desta terça-feira (20) foi de geada em algumas regiões produtoras de café. No Sul de Minas, área conhecida pelo forte cultivo do grão, lavouras chegaram a registrar 100% dos pés queimados pelo frio intenso, que pode ter consequências negativas no desenvolvimento das plantas e na produtividade da próxima safra.

O produtor Crebson da Silva Martins, do município de Nova Resende (MG), conta que dos seus 18 mil pés de catuaí amarelo, pelo menos 7 mil foram atingidos pela geada. “Na parte mais alta não pegou, mas dentre as últimas geadas, essa foi a mais forte e subiu mais do que a que deu há dois anos. Fez um estrago grande”, relata.


Cafeeiros atingidos pela geada em Nova Resende (MG) – Foto: Crebson da Silva Martins

Além dele, a lavoura da cafeicultora Amanda Bueno Silva, de Varginha (MG), também foi atingida. Segundo ela, ainda não tem como saber ao certo o tamanho do prejuízo, mas Amanda acredita que a frente fria tenha impactado entre 30 e 40% dos novos pés de arara. “Derrubei o cafezal antigo no final do ano passado e plantei uma nova lavoura em janeiro deste ano. Tive o azar de pegar seca e agora essa geada”, conta.


Mudas de café atingidas pela geada em Varginha (MG) – Foto: Amanda Bueno Silva

Como proteger os cafezais?

Este fenômeno climático interfere negativamente no rendimento e na qualidade da plantação, uma vez que o derretimento do gelo pelo sol faz com que as folhas queimem e morram. Como a produtividade está diretamente ligada à área foliar da planta, a safra seguinte é impactada.

De acordo com a Fundação Procafé, é importante se atentar à cobertura do solo. Solo coberto com vegetação, por mato ou cultivos intercalares, viva ou morta, reduz a incidência solar e, consequentemente, o armazenamento de calor pelo terreno. Deixe o solo livre. Neste mesmo sentido, lavouras com espaçamentos mais abertos tendem a ser menos afetadas por geadas.

O Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná) e o Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar), que emitem o Alerta Geada aos produtores das áreas de cultivo do estado, recomendam que as mudas novas, com até seis meses de campo, sejam enterradas. Viveiros devem ser protegidos com várias camadas de cobertura plástica ou aquecimento, podendo adotar as duas práticas simultaneamente.

Em ambos os casos, a proteção deve ser retirada logo que a massa de ar frio se afastar e cessar o risco de geadas. Nas lavouras com idade entre seis meses e dois anos, é recomendado amontar terra no tronco das plantas até o primeiro par de folhas. Essa proteção deve ser mantida até meados de setembro e depois retirada com as mãos.

Impacto nos preços

Por conta das geadas, as cotações do café arábica já iniciaram a terça-feira com valorização na Bolsa de Nova York, com os contratos de setembro/21 registrando alta de 640 pontos, negociado a 162,70 cents/lbp; e o dezembro/21 crescendo 625 pontos, cotado a 165,60 cents/lbp.

Em Londres, o café canéfora (conilon) também acompanha o clima e opera com ganhos. Os vencimentos setembro/21 e novembro/21 apresentaram alta de US$ 41 por tonelada, negociados a US$ 1773 e US$ 1774, respectivamente. Clique aqui e confira mais valores.

Previsões para os próximos dias

Ainda para os próximos dias, de acordo com informações do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), há risco potencial de geadas nos estados de Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina.

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