Há 20 anos, Hospital das Clínicas realizava primeiro transplante de fígado em Ribeirão

Na madrugada do dia 1º de maio de 2001 o Hospital das Clínicas realizou o primeiro transplante de fígado em Ribeirão Preto. Apesar de já ser um hospital de referência em todo país, até os anos 2000 o Hospital das Clínicas não possuía experiência para esse tipo de transplante em Ribeirão Preto.

A estrutura física e de pessoal foi montada ao longo de toda a década de 1990. Foi nessa época, que a Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP e o HC deram início ao programa de transplante de fígado na cidade.

Uma equipe foi montada e treinada especificamente para esse tipo de cirurgia. Assim, em 2000 foi criado o Grupo Integrado de Transplante de Fígado. Com o grupo estruturado, foi possível dar início à fila de espera de pacientes que necessitavam de doação. A primeira pessoa da fila era um paciente com um tumor no fígado. O professor e médico Orlando Castro e Silva Júnior. que participou do transplante, explica que, normalmente, as primeiras cirurgias desse tipo são feitas com pacientes que ainda mantém as funções renais e não em pessoas com falência hepática, tendo em vista o maior grau de dificuldade.

“Eu estava em um congresso em Vitória, no Espírito Santo e fui notificado que havia um doador em Ribeirão Preto. A cirurgia começou em torno das 19h. Eu cheguei, me preparei para a cirurgia. Descansei e refleti sobre tudo o que poderia dar errado”, contou Orlando.

O doador foi uma pessoa que teve morte encefálica, no HCUE. Ao todo, cerca de 40 pessoas participaram da cirurgia. Porém, um imprevisto atrasou o procedimento. “Às 23h tivemos um problema com o ar condicionado. O transplante não podia ser cancelado! O paciente já estava clinicamente e psicologicamente preparado para o transplante”, lembra o professor.

Por volta das 2h da madrugada o sistema de ar condicionado foi consertado e o transplante pode seguir. Ao todo, a cirurgia levou cerca de 12 horas.  O paciente transplantado, vindo da cidade de Campinas, teve uma boa evolução pós-operatória, recebeu alta hospitalar dez dia após a cirurgia. Com o sucesso do procedimento, estava consolidada a instalação definitiva do terceiro centro de transplante de Fígado do Interior do estado de São Paulo.

Segundo Orlando, o transplante deixou um legado para a ciência e a medicina em Ribeirão Preto. A capacitação dos profissionais e os avanços nas pesquisas nessa área elevaram o nível dessa área na USP. “A pesquisa continua. Só com o transplante de fígado você pode montar toda uma faculdade de medicina porque é um processo muito complexo”, ressaltou.

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