Incidência da variante P.1 em Franca é de 64,79%

A variante P.1 do vírus Sars-CoV-2, causador da Covid-19, é identificada em cerca de nove a cada dez testes realizados na região de Ribeirão Preto (SP), apontou um relatório publicado neste sábado (1º) pelo Instituto Adolfo Lutz, que analisou 1.718 amostras genéticas coletadas em todo o estado.

Entre as 17 Diretoriais Regionais de Saúde (DRS) de São Paulo, a de Ribeirão Preto, da qual também fazem parte outras 25 cidades, tem a maior incidência da variante P.1, seguida pela região de Barretos, ainda segundo o Instituto Adolfo Lutz.

O relatório anterior, publicado na terça-feira (27), apontava que a incidência da P.1 era de 78,95% na região de Ribeirão Preto. A alta foi de cerca de 10%, o que preocupa autoridades sanitárias, já que a variante pode estar associada à elevação de casos, mortes e hospitalizações.

Preocupação

 

A variante P.1 pode ser até 2,4 vezes mais contagiosa do que as linhagens originais do Sars-CoV-2, apontou um artigo publicado na Science, uma das revistas científicas mais prestigiadas do mundo, com participação da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP).

A infectologista Ariadne Beatriz Silvério, do Hospital das Clínicas (HC), afirma que uma das razões para a alta incidência da variante na região é que, por ser um polo de saúde, Ribeirão Preto recebe muitos pacientes de outras cidades, o que facilita o contágio.

“A infectividade desta cepa é o que mais nos preocupa. Os pacientes infectados por ela ficam por períodos mais prolongados no hospital, então ocupam leitos por mais tempo também. Foi muito visível nos hospitais que, quando a variante chegou, começou a aumentar o contágio”, diz.

Unidade de terapia intensiva do Hospital das Clínicas (HC) de Ribeirão Preto (SP) — Foto: EPTV/Reprodução/Arquivo

Unidade de terapia intensiva do Hospital das Clínicas (HC) de Ribeirão Preto (SP) — Foto: EPTV/Reprodução/Arquivo

Variantes

Na cidade, localizada a 300 quilômetros da capital paulista, também circula a variante P.2, que responde por 5,71% dos testes, além da B.1.1.7, presente em 2,86% das análises, e a N.9, encontrada em 2,86% dos casos.

  • Variante P.1: foi identificada pela primeira vez no Japão em passageiros vindos de Manaus. É conhecida por ter maior potencial de transmissão e sintomas mais graves da doença, incluindo em pessoas mais jovens e fora dos grupos de risco;
  • Variante P.2: foi identificada pela primeira vez no Rio de Janeiro e tem potencial elevado de transmissão, mas até o momento não há pesquisas que mostrem que ela é mais agressiva do que a P.1;
  • B.1.17: foi identificada inicialmente no Reino Unido em com alto nível de transmissibilidade, está atrelada à elevação de casos na Inglaterra no início do programa imunização;
  • N.9: é uma variante recente, ainda sem origem confirmada, mas estudos apontam que ela é mais transmissível do que as primeiras linhagens do Sars-CoV-2.

 

Sars-CoV-2, o vírus causador da Covid-19 — Foto: Getty Images via BBC

Incidência da P.1 por região

A DRS de Barretos (SP) também registra alta incidência da variante P.1, encontrada em 86,27% dos testes analisados pelo Adolfo Lutz. Em menos de uma semana, o aumento percentual foi de 25,16%, o que elevou a região da sexta para a segunda posição no ranking de prevalência por região.

Já na DRS de Franca (SP), a incidência da P.1 entre os testes cresceu 10,24%, saltando de 54,55% para 64,79%. A alta, porém, é menor do que a observada em outras regiões. Na semana anterior, Franca ocupava a nona posição no ranking de prevalência por DRS e, neste sábado, passou à 11ª.

Em Registro, Araraquara, na Grande São Paulo e em Taubaté, a incidência é de cerca de 75%. As menores taxas são registradas em Bauru, na Baixada Santista, Marília e Presidente Prudente.

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