Indústria de transformação encerra o trimestre com queda

Dados do Levantamento de Conjuntura da Fiesp/Ciesp indicam queda de vendas nas indústrias de transformação no Estado de São Paulo. De acordo com o relatório, as operações caíram 1,3% em março, no comparativo com o mês anterior. Com esse resultado, as negociações do segmento no Estado encerram o 1º trimestre de 2021 com queda de 0,7% em relação ao último trimestre de 2020.

Para o diretor do Ciesp Araraquara, Ademir Ramos, a regressão está relacionada ao agravamento econômico provocado pela pandemia e também pelas novas medidas de isolamento social, necessárias para a conter a proliferação do coronavírus. Com menos dinheiro em circulação, menos as pessoas compram e menos as indústrias produzem.

“Primeiro é que se existe redução é porque não tem consumo, o comércio não vende pelas razões já conhecidas. A restrição apertou bastante no fim de fevereiro e março, começou flexibilizar agora. A consequência na queda de vendas na indústria é realmente a pandemia, a restrição, necessária, mas o pior de tudo que vejo é que essa queda traz muitas consequências que são mais sérias em relação a produção”, explica.

“Você deixa de utilizar uma quantidade maior da capacidade instalada e monta uma empresa para trabalhar quase que a 100% e reduz em uma situação como essa. Consequentemente diminui as horas trabalhadas, postos de trabalho, uma consequência, o estoque afeta barbaridade também e o que é pior, na minha visão, a possibilidade de investimento. O empresário recua em uma hora dessas”, completa.

A avaliação do Ciesp Araraquara é que os setores que possuem grande parte das operações voltada para o mercado externo são os menos afetados pela baixa venda. Empresas que tem o mercado interno como principal cliente acabam apresentando mais oscilação no volume de vendas.

Em janeiro e fevereiro deste ano, a entidade se destacou no cenário estadual pelo alto volume de produtos destinados à exportação, como aeronaves e aparelhos espaciais, preparações de produtos hortícolas e açúcares e produtos de confeitaria.

“Para uma época dessas é sinal que alguns setores têm tido resultados bons, como o açúcar e derivados, da indústria aeronáutica que foram setores que tiveram uma projeção muito boa. O setor de vestuário, temos em nossa região um parque fabril importante em Ibitinga, então tem setores que sofrem menos. Os setores que estão voltados grande parte da produção para exportação não tem enfrentado grandes problemas. Agora, o setor que vive exclusivamente de produção local, para consumo local, vai ser mais afetada”, finaliza.

Apesar do baixo resultado em vendas e atividades industriais, os indicadores de emprego revelam números positivos. Segundo Caged, referente ao mês de março, a indústria de transformação paulista foi responsável por 12.257 contratações, com destaque para o setor de veículos, máquinas e equipamentos, entre outros.

Nas 17 cidades atendidas pela regional do Ciesp em Araraquara, a indústria de transformação gerou 270 novas oportunidades de emprego, aumento de 0,5% em comparação com fevereiro. Com isso, o estoque de trabalhadores ativos nesses municípios se manteve estável, com 54.550 contratados.

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