Quase 80% das famílias brasileiras tiveram redução de renda no primeiro semestre

A aquisição de produtos e serviços depende muito do poder de compra do consumidor, que esteve comprometido no primeiro semestre deste ano quando quase 80% das famílias teve redução de renda – conforme mostra o estudo Consumo e Renda das Famílias, da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP).

A queda provocada pelo aumento do desemprego, insegurança e mudanças de hábito, durante a pandemia de covid-19, teve seu impacto mitigado na Classe E por causa do pagamento do auxílio emergencial, que foi mais intenso para os 22% da população atualmente localizada nessa faixa de renda.

O estudo aponta que apesar do total da renda média ter aumentado 3,3% no primeiro semestre em comparação com o mesmo período de 2019, 78% de famílias, das classes A, B, C e D, tiveram queda na renda.

Veja a tabela a seguir:

Como as famílias gastam a renda

A distribuição de consumo mostra maior concentração em produtos, principalmente básicos, nas faixas mais baixas de renda, e de serviços dentre os mais ricos no primeiro semestre deste ano.

Com o aumento de quase 63% de renda justamente entre as camadas mais pobres com maior propensão ao consumo de itens básicos, os gastos com alimentação representam 10% do total de gastos médios dos brasileiros, sendo 17% dos gastos das famílias com renda até R$ 1.950 e só 4% das famílias de renda superior a R$ 16.900.

Ao mesmo tempo os gastos com educação representam 2% do total do orçamento da Classe E e 5% na Classe A.

Houve aumento dos preços de itens que se mantiveram ou até ampliaram seu consumo, e o indicador de inflação não foi maior porque ocorreu queda de preços dos itens não consumidos, normalmente mais relativos a serviços como eventos, lazer, turismo (comuns no orçamento dos mais ricos).

Expectativa

No curto prazo, a FecomercioSP acredita que os extremos estarão menos suscetíveis aos problemas econômicos, pois os programas de renda devem se manter para faixas baixas de renda e, no lado oposto, existe a possibilidade do uso de dinheiro guardado na poupança com maior chance de preservação do emprego.

No grupo do meio é que os efeitos da crise devem ser efetivamente sentidos diante de seu padrão de consumo, dos efeitos e da localização da inflação, além dos riscos para manter o emprego devido à crise e ao fim das medidas emergenciais.

Fonte: FecomercioSP

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