São Paulo anuncia início da produção da Butanvac, vacina brasileira contra a Covid-19

O governador João Doria (PSDB), de São Paulo, anunciou o início da produção da Butanvac. A vacina contra a Covid-19 é desenvolvida pelo Instituto Butantan com insumos brasileiros.
O anúncio foi realizado na sede do instituto, na zona oeste da capital paulista, em coletiva à imprensa. Segundo Dimas Covas, já existem 1 milhão de doses em processamento. O primeiro lote terá ao menos 18 milhões de doses.
“Vamos ser autossuficientes porque a nossa capacidade de produção é muito grande podendo chegar a 100 milhões de vacinas”, disse Covas.
Até o momento, a Butanvac foi testada apenas em animais e no laboratório, nos chamados testes pré-clínicos. O Butantan entrou com um protocolo para início dos ensaios em humanos no país à Anvisa, que disse que faltavam documentos para liberar os testes.
“Vamos aguardar a aprovação da Anvisa”, disse Covas. A aprovação da agência é necessária para começar o ensaio inicial com 1.800 voluntários, para testar se a candidata à vacina é segura e induz resposta imune.
Se for aprovada e passar da primeira fase de testes, o imunizante poderá ser testado em 9.000 voluntários para avaliar sua eficácia contra a Covid-19.

Como a Butanvac será produzida

Segundo Dimas Covas, diretor do Butantan, a vacina será fabricada dentro de ovos de galinha, da mesma forma como o instituto já produz atualmente os imunizantes contra a gripe. O processo deve envolver milhões de ovos embrionados (com embriões ainda vivos) que vão receber outro vírus, inofensivo para os humanos, carregando a informação genética do Sars-CoV-2. O resultado será uma vacina inativada, feita com fragmentos de vírus mortos.
A Butanvac vai usar o vírus da doença de Newcastle -patógeno de uma síndrome respiratória aviária que não causa sintomas em humanos- como vetor viral. Esse vírus é modificado geneticamente para expressar a proteína da espícula do Sars-CoV-2 e poder gerar resposta imunológica no corpo contra o causador da Covid-19.
É a espícula que o vírus usa para se ligar às células humanas e iniciar a infecção. Quando o corpo reconhece a presença dessa proteína, ele começa a produzir as defesas contra o invasor.
Outras vacinas aprovadas para uso contra o coronavírus usam plataforma semelhante. A Covishield, desenvolvida por uma parceria entre a farmacêutica AstraZeneca e a Universidade de Oxford, usa um adenovírus de chimpanzé, também inofensivo para os humanos, para carregar informação genética do coronavírus.
De acordo com o Butantan, o vírus da doença de Newcastle se desenvolve bem em ovos embrionados, o que permitiria eficiência produtiva.
Se o processo for exatamente o mesmo usado na fabricação das vacinas contra a gripe, o vírus que ataca galinhas e recebeu uma fantasia de Sars-CoV-2 será inserido nos ovos com a ajuda de uma agulha. Uma vez dentro da casca, ele começa a se multiplicar; é a fase da incubação. Depois desse período, os ovos são levados para uma câmara fria, onde os embriões morrem.
Ainda na câmara fria, o vírus replicado é liberado para o líquido alantóico, que fica ao redor do embrião. Na etapa seguinte, o líquido é retirado para passar por processos de filtração e purificação para que partes indesejáveis dos ovos sejam retiradas.
Após a purificação, o vírus é inativado para que não seja capaz de se replicar, infectar e causar doença em humanos. Outras substâncias devem ser adicionadas para chegar à formulação final e, só então, ser envasada e distribuída.
Ao ser aplicada em uma pessoa, o corpo detecta a presença do invasor e dá início à produção dos anticorpos e outras moléculas que fazem parte da resposta imunológica contra o vírus. Esse primeiro contato seguido com o coronavírus inativado permite que o corpo esteja pronto para levantar suas defesas quando, no futuro, encontrar o Sars-CoV-2 ativo.

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