Sete meses após 1º caso de Covid, Jeriquara segue sem registrar mortes pela doença

Sete meses após o primeiro caso de Covid-19, Jeriquara (SP), a 44 quilômetros de Franca (SP), segue sem registrar mortes por complicações da doença. A cidade de 3.151 moradores soma, até esta terça-feira (23), 160 casos da doença, a maioria já recuperada.

A dona de casa Sueli Munhoz é uma das moradoras que superou a doença. Aos 68 anos, ela começou a sentir sintomas da Covid-19 no dia 21 de janeiro. Como a oxigenação estava baixa, foi internada em um hospital de Pedregulho (SP) e transferida para Ituverava (SP), onde passou três dias na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

A idosa lembra da dificuldade, mas afirma que a fé e o pensamento na família a fizeram lutar pela recuperação.

“Foi difícil, mas eu sentia muita força, eu acreditava que eu ia ir embora. Eu lutei e Deus me ajudou. Lá [no hospital], eles fazem a chamada de vídeo com a família todos os dias. Quando eu via a minha família, eu falava para eles que era o amor que ia me trazer de volta. Deus foi maravilhoso.”

Moradora de Jeriquara, SP, dona de casa Sueli Munhoz ficou internada na UTI — Foto: Jefferson Severiano Neves/EPTV

Moradora de Jeriquara, SP, dona de casa Sueli Munhoz ficou internada na UTI — Foto: Jefferson Severiano Neves/EPTV

A filha dela, Flávia Munhoz, diz que a família viveu dias de agonia enquanto a mãe estava internada.

“Só quem passa por isso entende a dor que esse vírus traz, não somente para quem teve, mas para a família toda. Foram dez dias insuportáveis de viver.”

Diagnóstico e tratamento

 

O primeiro caso da doença na cidade foi registrado em julho de 2020. Na área de cobertura da EPTV, afiliada da TV Globo, das 66 cidades, Jeriquara foi uma das últimas a confirmar quadros de infecção entre os moradores. Agora, é a única sem registro de óbitos.

Posto de saúde em Jeriquara, SP — Foto: Jefferson Severiano Neves/EPTV

Posto de saúde em Jeriquara, SP — Foto: Jefferson Severiano Neves/EPTV

A diretora do Departamento de Saúde, Juliana Sarreta Lucindo, atribui ao acompanhamento médico o fato de a cidade não ter registrado nenhuma morte.

“Eu acho a detecção precoce da Covid foi um dos principais trabalhos que foram realizados, porque os pacientes com sintomas são tratados diferentemente dos outros. Eles têm horários prioritários para serem atendidos, são acompanhados por enfermeiras, elas ligam todos os dias para esses pacientes para saber como estão”, afirma.

Redução de risco

 

Nesta terça-feira, dois pacientes estão internados em leitos de enfermaria na Santa Casa de Pedregulho, de acordo com Juliana.

Diretora do Departamento de Saúde de Jeriquara, SP, Juliana Sarreta Lucindo — Foto: Jefferson Severiano Neves/EPTV

Diretora do Departamento de Saúde de Jeriquara, SP, Juliana Sarreta Lucindo — Foto: Jefferson Severiano Neves/EPTV

Para evitar aglomeração no posto de saúde e reduzir o risco de transmissão, uma tenda foi montada ao lado da recepção. A Prefeitura também destaca campanhas de conscientização pelo uso de máscara e álcool em gel.

“A gente não deixa ninguém entrar na unidade de saúde sem a máscara, os que vêm sem, a gente disponibiliza. O serviço social do município também confeccionou um grande número de máscaras, que foi disponibilizado à população. Eu acho que isso também colaborou bastante”, afirma a diretora.

Esperança

 

A cidade espera que a vacinação possa ser a chave para que a vida volte à normalidade. Dona Sueli, que ainda espera pela dose, fica aliviada ao pensar que ninguém morreu de Covid-19, e pede que todos continuem tomando cuidado.

“Esse vírus existe, ele mata. É muito difícil quando a gente pega, porque não sabe o que a gente vai passar. Então, vamos colaborar, pensar no próximo, para não passar para ninguém. Quem não gosta de uma festinha? Mas está na hora da gente conscientizar que ele existe mesmo e que mata. Dias melhores virão se Deus quiser.”

 

Ao todo, 151 doses da vacina foram aplicadas até agora. O Departamento de Saúde aguarda um novo lote para seguir com a campanha de imunização.

“Já vacinamos todos os idosos acima de 90 anos, todos os idosos de 85 a 90 e agora a gente está aguardando a chegada de novas vacinas para começar a atender a população de 80 a 85 anos”, diz Juliana.

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